quarta-feira, 29 de março de 2017

Chegar e Partir!


"São só dois lados da mesma viagem"

Milton Nascimento e Fernando Brant

Quase seis meses após a última postagem, e sem tempo até para acompanhar as estatísticas do blog, fui surpreendido por números impressionantes nas visualizações!


Observem que desde setembro de 2016 houve um acréscimo notável, com dezembro quebrando o recorde absoluto  - 8.216 - e média mensal de 6.791 visualizações.

Vale lembrar que o recorde anterior era de 6.661 registros, em junho de 2011, quando o blog ainda estava em plena atualização.

Realmente um grande alento nesse momento que repenso a participação no antigomobilismo, tudo em função de algumas decepções, frustrações, alteração de prioridades e restrições no tempo disponível.

Em respeito ao antigomobilismo - paixão desde sempre - e aos que acompanham esse hobby descompromissado sob a forma de blog, resolvi agregá-lo-lo à outra iniciativa: 

Z Garage
(Garagem de Zeuxinho)

De forma muito resumida, estamos formando um grupo de amigos/parentes, apaixonados pela história e pelo antigomobilismo, para dar continuidade a algumas iniciativas. 

Dividindo tarefas e aproveitando o cada um pode fazer de melhor, progrediremos mais rapidamente, sem que haja sobrecarga para nenhum de nós.

 Aguardem mais detalhes!

Antes de passar, em definitivo, a coordenação dos blogs que estão parados - Pit Stop Bahia, Opalas SA, Kadron SA,  Minimax e Pulga SA - pretendo publicar oito postagens que já estão "engatilhadas" e há muito abandonadas:

Garimpagens inesperadas

Z Garage

Caravan Diplomata 1986 

Garagem Freitas

3 Buggys Kadron e 1 sonho

Doação da alguns Veículos Antigos

Novos rumos do Veteran Car Club - Bahia

Desafios dos Buggys - Bahia

Depois dessas publicações, vou me concentrar apenas na gestão de divulgação, ajudar na recuperação de garimpagens e contribuir com  esporádicos artigos nos blogs, que passarão a ter redação coletiva.

Vamos conferir e continuar viajando no Universo do Antigomobilismo!







terça-feira, 11 de outubro de 2016

Um Tropi - Kadron - em Patamares

Tropi Kadron 1971

Um anúncio em site de vendas me levou, por pura curiosidade, ao bairro de Patamares - Salvador/Ba.

O objetivo: ver e fotografar um autêntico Tropi Kadron, primeira geração, que apresentava grandes diferenças em relação aos irmãos caçulas e muito mais conhecidos!


Guardado na garagem por "alguns dias", que virou década, o valente primogênito de Anísio Campos sente o peso da idade e das adaptações inconsequentes, que darão um trabalho extra ao abnegado antigomobilista que adotar o simpático bug/bugre/buggy!


Praticamente um protótipo, que bem representa a genialidade de um dos maiores designers brasileiros, sofre as desvantagens do pioneirismo, afinal, foi o primeiro Buggy desenhado e fabricado no Brasil. 

Literalmente o empreendimento - da Kadron (indústria de componentes automotivos) - saltou na frente da concorrência, tendo o gênio do designer Tropical na direção.

Testes na Praia - 1970

Essa primeira versão, fabricada entre 1970 e meados de 1971, tinha uma solução na traseira - compartimento do motor e lanternas - que mostrou-se pouco eficiente e com estética discutível, e foi corrigido na segunda versão.

Simplesmente não havia a tampa para acesso ao motor, sobrando apenas uma pequena abertura para manuseio do carburador, devidamente coberta pela placa do veículo!

Foto: Puma Classic

Comparem com a segunda geração, que já corrigiu essa deficiência através da uma harmônica tampa com dobradiças, supressão dos 4 elementos em relevo para reforço da região e abertura de grelhas para refrigeração.


Mas a maior diferença na traseira era exatamente nas lanternas, que apresentava as retangulares de Variant/TL/Puma perto das bordas, na segunda geração...


... e inacreditáveis lanternas de fusca posicionadas perto do centro, nos exóticos modelos de primeira geração, uma solução de gosto - no mínimo - duvidoso.

Fonte: internet

Como a tiragem inicial foi muito pequena, poucos tiveram a oportunidade de conhecer essa configuração. No meu caso, apenas por fotografias e publicações muito antigas.

Fonte: Internet

Todos hão de concordar que o belíssimo Buggy evoluiu muito na versão definitiva!

Voltando a Patamares, esse valente sobrevivente vai precisar - como já comentado - de um esforço extra para voltar à originalidade, visto as modificações impostas ao longo dos anos: uma tampa traseira aberta na base da serra e uma adaptação das lanternas de Parati/Saveiro nos extremos da carroceria!


Comparem novamente!


Os para-choques também teriam de ser substituídos, saindo essa versão em fibra de vidro similar aos Birds dos anos 1980 e chegando os tubulares que fizeram parte da história de sucesso desses belos buggys.


Na frente também há uma diferença interessante: a inexistência dos piscas nos para-lamas, ficando nessa versão escondidos perto das rodas. Claro que nesse exemplar, com forma e posicionamento incorreto, teria também de ser substituído.


Foto: Autos Clássicos

Enfim, com energia, abnegação e muito entusiasmo, os fãs da marca têm a chance de resgatar e restaurar um exemplar muito interessante no ponto de vista da história, exatamente como pretendia fazer o atual proprietário, Sr. Fernando. 

Admirador do modelo, ele adquiriu o exemplar para fazer uma criteriosa restauração, porém, um convite a novo trabalho logo após a aposentadoria demoliu todo o planejamento. Dez anos depois, deseja passar a missão para outro antigomobilista.

Torcemos - e divulgamos - para que essa adoção seja responsável, visando evitar um destino incompatível com tanta história reforçada com fibra de vidro.

Caso alguém tenha interesse na nobre empreitada, basta passar o e-mail no espaço para comentários que eu envio os dados do vendedor. 


Os Kadrons, sempre modernos - apesar da idade - e carismáticos, são uma fonte inesgotável de prazeres e  sensações e arrancam sorrisos dos observadores a cada passeio.


Isso desde o "vôo" inaugural!

Fonte: Internet

Mestre Anísio Campos e uma de suas maiores criações

Breve: 
mais detalhes e comparações entre as duas gerações.
    
    

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Novo Clube

Buggy Club - Bahia

Os fãs de Bug / Bugre / Buggy, veículo sinônimo de muita diversão, ganharam um belo motivo para festejar: a criação do ...


O primeiro grande momento, duplo Encontro, aconteceu no feriado do dia 2 de Julho - data "revolucionária" e propícia a boas surpresas - no Jardim dos Namorados e posterior carreata para o Parque da Cidade, durante o Encontro Mensal Veteran Bahia & Convidados.


Trouxeram colorido especial ao Parque recentemente restaurado, e ao Encontro de Antigomobilismo que voltou aos seus melhores dias, após uma pequena pausa.


O mais bacana da história é que o novo Clube é resultado da união de dois grupos que buscavam a mesma desejável organização, objetivando a devida valorização e intercâmbio de informações sobre esses simpáticos veículos.


Essa fusão surpreendeu a todos pelo rápido crescimento no interesse geral, com impressionante número de cadastrados nos primeiros dias.


Parabéns aos envolvidos nesta brilhante iniciativa!


Estaremos acompanhando a evolução dessa união, juntamente com o blog parceiro Kadron SA, sempre confiando na consolidação do Clube e torcendo por uma possível "Diretoria de Antigos" - interesse pessoal  (rsrs) - para ajudar no resgate e valorização dos modelos históricos!


Vale ressaltar que novos Encontros e Passeios já estão sendo organizados, para que esses fantásticos veículos possam aproveitar todo o potencial! 

Para tanto, as ferramentas disponíveis já estão em ação, incluindo espaços digitais - FB, WhatsApp, Instagran - além de camisetas, adesivos, etc.

Pesquisem, solicitem inclusões, cadastrem-se!

Foto: FB do Buggy Club da Bahia

Aguardem as novidades!


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Revisitando 2010 (02)

Carros que marcaram - Puma de Campêlo

"Tubarão" 07
(Original PSB - 02/06/2010)

Todos já tiveram a oportunidade de testemunhar situações realmente impressionantes. Aconteceu comigo!

Não tenho muitos detalhes, talvez vocês possam ajudar com mais dados, mas a essência é inesquecível.

Como todo fã de automobilismo do início da década de 80 (algo entre 82 e 84), fui assistir uma edição do Km de Arranque que aconteceu na reta do Pitubão.

A largada era quase em frente ao Shopping Itaigara e a chegada ... não faço a menor idéia. O percurso era tão longo que tínhamos de escolher um ponto ou outro para se posicionar.

Logo nos "boxes", notei um carro que se destacava dos demais na apresentação. Entendam, todos os carros eram muito legais, mas estávamos engatinhando no assunto e ainda havia uma certa atmosfera de improvisação.

O carro chegou puxado numa carreta, devidamente coberto, com pneus lisos - slik (sem ranhuras) -  aparecendo de relance quando batia o vento.


Ao ser descoberto, uma visão do profissionalismo que regia aquela equipe: um puma branco, modelo tubarão, exclusivo para competições, todo aliviado - até os faróis foram substituidos por uma bolha de fibra, isso para não falar no acrílico no lugar dos vidros - banco concha, cinto de quatro pontos, abertura para um possível radiador de óleo no lugar da placa dianteira (repasso minhas impressões daquele momento).

Na porta o número sete e no comando um piloto com macacão, sapatilhas de corrida e um capacete invocado - que mais tarde soube ter sido pintado por Sid Mosca (responsável pelos capacetes de Emerson, Senna e quase todos os grandes pilotos do Brasil ) .


Além do visual, o ronco do motor impressionava, prometendo algo diferente.

Resumindo - em outra postagem darei informações oficiais sobre esse Puma - parece-me (eu estava relativamente longe) que não queriam correr contra o tubarão, e a questão foi resolvida quando o piloto cedeu dois postes de vantagem na largada.

Alinhou - ou será desalinhou - com um passat turbo e ficamos na expectativa da bandeirada.

O que aconteceu em seguida é um daqueles momentos incríveis que mencionei: numa fração infinitesimal, quando o Passat estava iniciando o movimento, o puma já tinha pulado ao seu lado  - lembrem-se que eram dois postes de diferença - e na fração seguinte sumiu na frente com aquele ronco meio alucinado.

Eu olhei para os lados e só via queixos caídos (rsrsrs)

Enfim, era o famoso Puma de Campêlo, um mito em seu próprio tempo.


As fotos, cedidas por Campêlo, não são do Pitubão

Revisitando 2010

Rastro de Onça: Peteleca?

(Reedição em comemoração aos 06 anos do PSB)

Quem vivia em Salvador nos anos 70 deve lembrar da famosa Peteleca, suçuarana - ou onça parda - que fugiu do Zoológico e  circulou por meses nas matas da Barra, Ondina e muitos outros bairros. Provocou medo em alguns, curiosidade na maioria e atiçou a imaginação das crianças, que chegavam a organizar "expedições de caça".

Infelizmente, por motivo de segurança, foi abatida pelo comentarista e ex-deputado Luis Sampaio e jaz empalhada no museu do zoo. Sua epopéia marcou tanto a cidade que chegou a receber votos na eleição da época.


Vocês devem estar imaginando a razão dessa lembrança e a resposta é muito simples: foi localizado um novo "rastro de onça".

A boa notícia é que, desta vez, o final da história promete ser feliz! 

Explico: a suçuarana, ou onça parda, felino poderoso e solitário, é mundialmente conhecida como Puma.


Depois de 20 anos "entocada", outra "fera" famosa foi finalmente localizada! 

A primeira pista foi uma "pegada" característica - jante das décadas de 70 e 80 que equipavam os Biancos e outros carros da época - com um pneu exótico e uma gravação no mínimo inquietante: exclusivo para competição.


Era um pneu Maggion, modelo slik (sem ranhuras), que oferece o máximo de aderência em pista seca. 

Realmente a "caçada" prometia! 

Seguindo o rastro da fera, facilitado pelo cheiro de gasolina de alta octanagem para aviões, não demorou muito para encontrar a toca que acolheu uma hibernação de tantos anos.


Para os que ainda não adivinharam, mesmo depois de tantas dicas, tenho o privilégio de comunicar que o antigomobilismo esportivo está em festa: 

O famoso Puma de Campêlo foi localizado!


Após incontáveis vitórias nas competições de arrancada, o Puma modelo tubarão aposentou-se - invicto - e foi recolhido numa garagem perto do aeroporto. 

Muito bem preservado, apresentava algumas marcas naturais do tempo. Tinha ainda o número adesivado na porta, registro da época em que "pintava o sete" nas pistas. 

Podíamos notar resíduos de cola dos outros adesivos, que representavam os patrocinadores do carro e das provas. Só um detalhe destoava naquela histórica cena: estava sem a incrível mecânica que assombrava os adversários!


Apresentado a Campêlo, construtor e piloto do mítico puminha, tive a oportunidade de testemunhar o valor e o cuidado dedicado ao motor da fera: estava devidamente desmontado e guardado no próprio guarda-roupa, juntamente com todas as peças retiradas do carro durante o processo de "emagrecimento". 

Aliviar o peso - retirando os componentes supérfluos - é um dos primeiros procedimentos na preparação dos bólidos de corrida.


Agora, a melhor notícia de todas: 
Campêlo convenceu-se de que este marco do automobilismo baiano deve ser exposto e festejado.

A fera já saiu da toca!


Em processo de restauração - é o carro do segundo desafio - breve teremos novidades.

Com todas a peças "aliviadas" aparentando estado de zero km, seria muito fácil montar um exemplar original, candidato a placa preta (veículo de coleção), mas que graça teria?

Além do mais, a história do automobilismo na Bahia, apesar de ainda subvalorizada, é inalienável!


Aguardem futura postagem com algumas informações e curiosidades da preparação. 

Vocês sabiam que muitas pessoas afirmam que a fibra foi lixada até o limite, sobrando apenas uma fina camada (bolha), com o objetivo de reduzir ainda mais o peso?

Será que é verdade?

Miniaturas para que?

Qual a vantagem?
(Original MiniMax - 15/06/2013)

Qual a graça em colecionar miniaturas - geralmente em metal - sem a possibilidade de acelerar o veículo de verdade? 

Apesar de reconhecer algumas limitações, posso garantir que as vantagens são muitas! Para não exagerar, citarei apenas quatro:design, custo, espaço e acessibilidade.

Acredito que a mais importante é a acessibilidade: alguns modelos são inatingíveis, seja por valor, antiguidade, raridade ou até inexistência. 

Observem, por exemplo, o Carcará - protótipo brasileiro recordista de velocidade - cujo original foi vendido para o ferro-velho a preço de alumínio. Seria apenas fotos, caso não existissem os modelos em escala reduzida.



Quantos protótipos, ou carros conceito, nunca chegaram à fase de fabricação? Quantas jóias se perderam ao longo do tempo, principalmente num país sem memória? Quantos exemplares, mesmo preservados, são únicos, portanto inacessíveis ?
Essa é uma das principais motivações do blog, que pretende unir a "mania de carrinhos" com a história dos "carrões". As outras vantagens abordaremos ao longo do tempo.


Vamos começar com um dos meus primeiros exemplares, um conceito único ...

Runabout de Bertone

Miniatura Gorgi Toys, fabricado na Inglaterra, década de 1970


Ele se parece com um bugre, um carro esporte e uma lancha ao mesmo tempo! É um exercício de estilo executado pelos designers doStúdio Bertone, que liberaram a imaginação sem a preocupação com convenções obrigatórias para os automóveis. Enfim, um protótipo apenas para experiências e exibições, sem viabilidade para fabricação em série - lembram da questão da acessibilidade?. O pára-brisa muito baixo, os faróis no santantônio e a falta de retrovisor externo são alguns dos ítens que comprovam a impossibilidade do uso normal.

Quatro Rodas

Como experiência, o Runabout testava conceitos que poderiam ser utilizados em carros do futuro. Os para-lamas, por exemplo, eram cambiáveis e poderiam se adaptar à largura e tala dos pneus usados. Montado com mecânica do Fiat 128 sobre o eixo traseiro, bastando inverter a posição do pinhão e coroa no diferencial para transformar a tração dianteira em traseira.


A revista Quatro Rodas  teve acesso ao protótipo e escalou nada menos do que Emerson Fittipaldi para o teste. O que mais chamou a atenção de Emerson foi a falta de instrumentos - reduzido a luzes espia e um único módulo parecendo uma bússola - e o pára-brisa baixo, reforçando a aparência de uma lancha. O efeito estético foi considerado excelente.

Emerson na Quatro Rodas


Como já mencionado, os protótipos não servem apenas para divulgação, afinal, algumas inovações podem ser aproveitadas em veículos de linha.  


Curiosidade

Runabout serviu de base para o estilo de um novo carro da Fiat italiana que, por sua vez, serviu de inspiração para uma réplica brasileira. 

O protótipo Bertone foi "civilizado" - com a inclusão de ítens indispensáveis ao uso normal - e lançado pela Fiat em 1972, com o nome X 1/9. Produzido até 1988, foi o carro com motor central mais vendido de todos os tempos, atingindo a marca de 170.000 unidades.


Aqui no Brasil a réplica - em fibra - do X 1/9 recebeu o nome de Dardo. O projeto (1978) da Corona S/A, pertencente ao grupo Caloi, foi capitaneado por Toni Bianco, que conheceu o Fiat no Salão de Turim em 1977. 


Apresentava mecânica 1.3 do Fiat Rallye, montado entre-eixos como o original.


 Os instrumentos foram herdados do mesmo 147 esportivo.


Apesar de exótico, caro e chamativo, apresentava acabamento precário, problemas crônicos no câmbio - genética 147 - e desempenho não compatível com o design. Saiu de linha em 1985, com cerca de 300 unidades produzidas.

Apesar dos problemas apontados, é um modelo raro e belíssimo, além de apresentar o DNA do ...

Runabout Bertone